Pessoas Que Tem Dificuldade Para Tomar Decisões

O Interessante Caso Do Bolo De Milho Que Chorava


Todos os comportamentos humanos recorrentes são expressões de processos mentais instalados em nossa mente inconsciente. Isso vale tanto para as nossas habilidades e recursos positivos como para o que nos produzem dores emocionais ou paralisia comportamental.


Uma situação característica e um tanto comum é a dificuldade que muitas pessoas têm para tomar decisões. É importante chamarmos a atenção para o fato de que a nossa mente faz comparações sempre entre duas possibilidades de escolha, mas o nosso inconsciente opera tudo tão rapidamente que não temos a ideia de que a nossa dificuldade ocorre quando existem muitas alternativas.


A dificuldade no processo de escolha pode aparentar ser uma característica comportamental menos importante, mas em geral, ela fundamenta dificuldades extremamente limitadoras, sobremaneira no exercício da profissão e no empreendedorismo.


E um caso ocorrido há poucos dias com pessoa tão próxima a mim poderia ter sido apenas engraçado, não fosse o drama emocional vivido pela protagonista quando era criança e que gerou esse comportamento, o qual a acompanhou por quase trinta anos e que agora não existe mais, graças a PNL.


Minha mulher é uma pessoa guerreira que soube transformar situações extremamente adversas e traumáticas da infância e da adolescência em força e determinação e usa essas características para contribuir de maneira fundamental com o nosso projeto de ajuda a todas as pessoas que nos procuram.


Durante o deslocamento a São Paulo para participarmos de uma reunião com executivos de uma grande empresa-cliente, paramos em um restaurante para lancharmos, e aí a dificuldade de escolha se manifestou. Ela pediu como sobremesa um inocente bolo de milho e eu fui busca-lo no balcão. Até aí tudo bem. O problema veio à tona quando a atendente, aliás muito simpática e solícita, ofereceu duas alternativas: o bolo tradicional ou o bolo cremoso?


Quando eu me dirigi a Ju para transmitir as opções, também muito solícito e me sentindo como um escoteiro fazendo a boa ação que reservaria meu lugar no paraíso, fui fuzilado por um olhar que me fez lembrar o de Hitler quando era contrariado.


Não fosse a PNL eu teria arrumado razões imediatas para correr para o banheiro do restaurante. Mas como terapeuta e professor de Neurolinguística eu entendi que tinha chegado a hora de eliminar algo que parecia inocente na personalidade da Ju. Acabei escolhendo o bolo cremoso, e ela gostou, mas ainda pensando: que já que existem duas alternativas, eu quero as duas.


Retomamos a viagem e eu iniciei a poderosa estratégia de identificação do processo inconsciente que gera o comportamento, chamado metamodelagem. É lá no inconsciente que os processos comportamentais se alojam. Desacelerei a velocidade da mente inconsciente dela através da indução para o transe leve e ela relatou que quando pensou no bolo de milho, imediatamente veio a imagem do bolo que ela conhecia (ela processa as informações de modo visual-cenestésico) e sentiu um grande conforto. Mas quando eu ofereci a segunda alternativa, ela visualizou a outra opção como um bolo feio, disforme e aparentando ser ruim até vê-lo. Ao constatar que o outro bolo também era atraente, veio o desejo compulsivo de ter os dois, mesmo sabendo que não daria conta de comê-los.


Continuei conduzindo-a para a estrutura profunda quando ela me surpreendeu afirmando que o bolo que ela não escolheria ficaria triste. Imediatamente a Ju entrou num choro copioso. O choro sempre é uma excelente informação, pois indica que a pessoa acessou a razão emocional do comportamento.


Fiz então mais uma pergunta e veio a imagem de sua mãe, triste, de cabeça baixa, porém calada, no momento no qual a Ju teve que tomar a decisão entre ficar com o pai ou com a mãe num episódio de separação dos pais.


Quando esse episódio de separação dos pais ocorreu a Ju tinha apenas sete anos de idade e, portanto, com fortíssima emoção. Como lhe foi dada a liberdade de escolher com quem ficar, ela também teve que assumir a responsabilidade da escolha e como consequência, a sensação da culpa pelo fato de tornar a pessoa que não foi escolhida triste.


Estaria aí a explicação da aversão por ter que decidir por alguma coisa, mas a situação foi mais agravada ainda porque em função do pai ter que viajar muito, ela e o irmão mais novo foram colocados em um orfanato, passando ambos a vivenciarem o abandono total.


Entendi então o olhar de Hitler capaz de me mandar para um pelotão de fuzilamento sem direito nem a Corte Marcial. “; culpa” por de ter que escolher entre mãe e pai e “raiva” por não ter sido resgatada pelo pai nos momentos de muito medo e desespero.


Bom que tudo isso se resumiu a um ano de vida dessa moça valiosa. Ocorre que os comportamentos são aprendidos de várias formas. Algo que provoque emoções muito ruins para uma criança ou adolescente pode se generalizar, passando a se manifestar todas as vezes que a mente interpretar como situações com o mesmo significado. Neste caso, ter que escolher foi generalizado pela dor da separação da mãe e a sensação de não ter com quem contar, durante um ano que ficou o orfanato.


Levamos menos que dez minutos para produzir a ressignificação do comportamento e como num passe de mágica, desde o dia do famigerado bolinho de milho que ficava triste, a Ju vem experimentando a deliciosa liberdade de poder fazer escolhas.


Apenas para exemplificar a importância da possibilidade de fazer escolhas podemos citar a situação na qual a pessoa se empolga com uma ideia ou iniciativa e mergulha de cabeça nela sem a admissão do plano “B” ou plano “C”. As chances de cabeçada sem preparo para a reação ao adverso são bem maiores.


E eu passei a entender a dificuldade que tínhamos na nossa comunicação quando eu cobrava um plano “B” quando ela apresentava uma nova ideia. Ela sentia “raiva”, demonstrando a impressão de que eu era um urubu mandingueiro e pessimista agindo para desaminá-la das suas ideias que, diga-se de passagem, são predominantemente excelentes.

Muitos outros benefícios serão percebidos pela Ju daqui para frente, a partir de uma restrição comportamental que a acompanhou por tantos anos e da qual ela está livre agora.


É assim que a PNL funciona e é pelo fato de ter identificado que todo comportamento é um processo e que para alterar o comportamento temos que fazer interferência no processo (que é inconsciente) que torna os resultados tão rápidos.


O trabalho terapêutico com PNL nos possibilita eliminarmos restrições específicas que estão nos provocando dores emocionais ou impedimentos para algum campo de nossas vidas. A formação em PNL, através do curso de Practitioner e depois o de Master no oferece ferramentas para identificarmos as nossas próprias restrições, permitindo-nos ressignificá-las e também, produzirmos os mesmos efeitos para as pessoas que nos propomos a ajudar.


Parece mágico, mas é tudo muito lógico e simples. E quero fazer um agradecimento especial para a Ju, que da sua generosidade característica me autorizou a publicar este case. Obrigado Ju!

Forte Abraço!

Mauricio Magagna

Master Trainner Em PNL

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